não sei andar sozinho/por essas ruas/sei do perigo que nos rodeia/pelos caminhos/não há sinal de sol/mas tudo me acalma/no seu olhar.
não quero ter mais sangue/morto nas veias/quero o abrigo do teu abraço/que me incendeia/não há sinal de cais/mas tudo me acalma/no teu olhar.
você parece comigo/nenhum senhor te acompanha/você também/se dá um beijo dá abrigo/flor nas janelas da casa/olho no seu inimigo/você também/se dá um beijo dá abrigo/se dá um riso dá um tiro.
não quero ter mais sangue/morto nas veias/quero o abrigo/da sua estrela/que me incendeia/não há sinal de paz/e tudo me acalma no seu olhar.
Excelente disco editado pela "Rotten Records" (2001), onde alguns sonetos de Glauco Mattoso foram musicados e interpretados por diversos músicos e cantores, tais como Arnaldo Antunes, Edvaldo Santana, Wander Wildner e Itamar Assumpção. Destaca-se no ótimo projeto gráfico do disco, a capa-paródia do LP Tropicália, feita pelo talentoso Lourenço Mutarelli.
Abaixo a faixa 21: "Ao Maior", com Madan (voz e violão) e Ney Couteiro (violão de 12 cordas)
Ao Maior (#214)
Maior é o sentimento que o sentido./Maior é a solidão do que a saudade./Maior é a precisão do que a vontade/Maior é Deus, segundo o desvalido.
Maior é o sabichão do que o sabido/Maior é a servidão que a majestade./Maior é o masoquismo do que Sade./Maior é o meu poeta preferido.
Quem faz muito soneto, cedo ou tarde/acaba produzindo uma obra-prima,/contanto que não faça muito alarde.
Por trás da mera métrica ou da rima/esconde-se a coragem do covarde/e o medo, que jamais me desanima.
Abaixo a faixa 16: "Precípuo", com Eriberto Leão e Falcão (vocais), Jacques Molina (guitarra-solo), Edu K.(guitarra-base e produçao), Johnny Monster (baixo) e Jeff Molina (bateria e co-produção)
Precípuo (#429)
Poetas não escrevem por dinheiro./Atrizes sempre têm a mesma cara./Modelo é meretriz mas não declara./Rockeiro sem chulé não é rockeiro.
Jeitinho é profissão do brasileiro./Jetom é gorjetinha em língua clara./Juiz não diz-que-diz: profere, exara./Barata é voto nulo em galinheiro.
As coisas têm que ser como elas são,/e não como alguns querem que elas sejam,/senão não tinha graça nem tesão.
Dos cegos só se espera que não vejam./Do Glauco todos fazem gozação./Enquanto alguém padece, outros festejam.